Renato Teixeira, Simoninha e Claudette Soares figuram entre os convidados do álbum da dupla mineira formada por irmãs gêmeas.

♪ Se for levado em conta que as irmãs gêmeas Celia Mazzei e Celma Mazzei – nascidas em 2 de novembro de 1952 na cidade mineira de Ubá (MG) – entraram em cena pela primeira vez aos cinco anos de idade, para cantar músicas sertanejas e italianas em circo armado na terra natal das garotas, o título do álbum lançado pela dupla neste ano de 2020, Celia & Celma 50 anos – Duas vidas pela arte, deveria aludir a mais de seis décadas de trajetória artística.

Até porque Celia & Celma nunca mais saíram de cena após a seminal apresentação circense.

Atrações mirins locais de rádio de Ubá (MG), terra natal de Ary Barroso (1903 – 1964), compositor conterrâneo cuja obra seria abordada pela dupla no álbum Ary mineiro (1997), Celia & Celma formaram na adolescência, nos anos 1960, o Conjunto Garotas, alardeado com o primeiro grupo instrumental feminino do Brasil.

Celia tocava bateria no conjunto enquanto Celma pilotava o contrabaixo acústico.

De todo modo, a trajetória profissional das irmãs foi de fato intensificada a partir dos anos 1970 e é essa caminhada adulta que o álbum Celia & Celma 50 anos – Duas vidas pela arte – lançado pela gravadora Kuarup no formato de CD e em edição digital – celebra com a gravação ao vivo de show feito pela dupla em 6 de junho de 2018 no Teatro Itália, na cidade de São Paulo (SP), com participações de Altemar Dutra Jr., As Galvão, Claudette Soares, Renato Teixeira e Wilson Simoninha.

Produzido por Thiago Marques Luiz, sob direção musical do pianista Aluízio Pontes, o álbum ao vivo de Celia & Celma tem repertório selecionado pela dupla e perpetua 14 números do roteiro apresentado pelas cantoras no show de 2018, feito 50 anos após as irmãs terem sido admitidas, em 1968, como vocalistas do grupo O som psicodélico de L.C.V., do pianista carioca Luiz Carlos Vinhas (1940 – 2001). Embora transitem pela urbanidade de canções como Até quem sabe (João Donato e Lysias Ênio, 1973) e Sá Marina (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, 1968), regravadas pela dupla com Claudette Soares e Simoninha, respectivamente, Celia & Celma dão vozes no disco sobretudo a um repertório mais interiorano – opção já sinalizada com a interpretação de Brasil poeira (1996), parceria de Almir Sater com Renato Teixeira, na abertura do álbum.

Teixeira forma trio com Celia & Celma para sustentar Pê de Ipê (Tonico e Osvaldo Rielli, 1953) e refazer Romaria (Renato Teixeira, 1977).

Dentro desse refinado universo ruralista, a dupla também revive No rancho fundo (1931), parceria do conterrâneo Ary Barroso com Lamartine Babo (1904 – 1963), em disco que festeja a união cinquentenária (a rigor, já sexagenária...) das irmãs em nome da arte.